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6 de novembro de 2015 - 12:58Especial, Indy, Kart

Viver do automobilismo

SÃO PAULO | Está ali no Grande Prêmio hoje uma entrevista do Gabriel Curty com o Victor Franzoni, ‘estrela-solitária’ do Brasil no Road to Indy.

Franzoni chamou a atenção no kart, principalmente com o título no Brasileiro em 2010. Foi um campeonato que teve mais de 40 pilotos disputando a categoria, e ele estava apenas chegando. Depois foi para a Europa, andou na F-Renault, e decidiu se voltar para o automobilismo norte-americano.

Para se manter nos EUA, está trabalhando até de mecânico em equipes de kart. Aqui, estava acostumado a por a mão na massa junto do pai, Fabio, mas claro que salta aos olhos ver, hoje em dia, um piloto trabalhando desta forma em busca do sonho. Essas histórias eram mais comuns, ou pelo menos mais difundidas, lá nos anos 70, 80.

Hoje, o sonho do Franzoni é a Indy, um sonho que ele considera distante. Mas segue tentando. No momento, é o único piloto na estrada para a Indy, uma categoria que está um tanto envelhecida e tem apenas dois representantes brasileiros, ambos mais que veteranos.

Porém, o que importa mesmo para Franzoni é outra coisa:

“O meu grande sonho é chegar à Indy, mas, com os pés no chão, tudo o que eu quero é poder viver do automobilismo. Então, quero chegar em alguma categoria onde eu possa me firmar e, então, viver disso. É o meu objetivo mais próximo”

Este discurso não é só do Franzoni. Esse é o discurso da maior parte dos pilotos dessa geração que está no kart hoje, ou então começando nas categorias de fórmula. Viver do automobilismo. No último mês, fazendo o hotsite da Seletiva de Kart Petrobras no GP, conversei com os finalistas do torneio, e o objetivo da maioria não é mais a F1. Eles enxergam o automobilismo não só como uma competição, mas como uma profissão.

papareliVinícius Papareli, o campeão, quer perseguir a Indy, mas com um objetivo final que é o mesmo de Franzoni:

“A cabeça dos pilotos, hoje, mudou muito. O piloto de hoje em dia quer viver de automobilismo. Não quer só a F1. Antigamente, o cara queria andar de F1 e, se não desse, parava de andar de tudo. Agora, o objetivo é diferente. A gente quer viver de automobilismo, fazendo o que gosta. É como se fosse o nosso trabalho mesmo. É isso. Eu gostaria de trabalhar no automobilismo, esse é o porquê de tudo isso”

Pietro Rimbano, o campeão de 2014, nem foi atrás dos monopostos. Vai procurar o Brasileiro de Turismo no ano que vem de olho na Stock Car. Gaetano di Mauro, o vice deste ano, sim, fala em F1. Bruno Bertoncello, terceiro, está de olho em fazer uma categoria de turismo no Brasil. Zaiya Fontana, quarto, quer “viver de automobilismo, independente de qual categoria for; se for a F1, ainda melhor”.

Claro que a economia complicada deste início do segundo mandato da Dilma Rousseff, com o dólar nas alturas, atrapalha e muito as pretensões destes jovens pilotos. Tudo é vezes quatro. Se era difícil antes, fica ainda mais agora.

Por outro lado, não é para se jogar tudo nas costas da economia. Faz alguns anos que essa mudança de pensamento dos pilotos começou a virar tendência. Com as equipes de F1 cobrando preços estratosféricos pelas vagas, realmente são poucos os que conseguem entrar por uma porta decente o bastante para se manter lá no ano seguinte. Tanto que tivemos exemplos nas últimas temporadas de pilotos que “descobriram” a vida que há fora da F1. Citando apenas pilotos brasileiros, Bruno Senna e Lucas Di Grassi andando no Mundial de Endurance em 2013 — hoje ambos estão também na F-E; Nelsinho Piquet rodando o mundo e vencendo nos mais diversos campeonatos; o Augusto Farfus bem demais de vida com a BMW no DTM; e por aí vai. Mesmo aqui dentro do Brasil… na Stock Car ou até mesmo no kart. Pois é, tem muita gente que vive de kart por aí.

Se para o cara que gosta de acompanhar a F1 torcendo por brasileiros, pode parecer ruim, eu, pensando no automobilismo como um todo, acho ótimo. Há um lado ruim na história, que é que a F1 ainda é o principal chamariz para o esporte. Mas para que possa haver gente chegando à F1, o todo precisa ser forte, em termos de pilotos e de organização. E, como um otimista que sou, imagino que o desejo dos pilotos por essa profissionalização no automobilismo resulte, no futuro, em uma gestão igualmente mais profissional. Otimista demais?

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