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21 de julho de 2015 - 15:21Especial

O verdadeiro problema

SÃO PAULO | Sinceramente, não tenho opinião formada sobre a redução da velocidade nas Marginais. Há casos no exterior em que a redução deu resultado, há casos em que o aumento — sim, o aumento — deu resultado. Seja na redução do número de acidentes e mortes, seja com a melhora no trânsito em si.

Só acho engraçado essa histeria toda. Ai que absurdo, não vou mais poder andar a 90 km/h. Ai que absurdo, não faz sentido nenhum. Ai que absurdo, é mais uma invenção deste prefeito maluco esquerdopata anticarro. Ai que absurdo, indústria da multa, é só para aumentar a arrecadação.

O trânsito de São Paulo é violento, e qualquer medida tomada para tentar melhorá-lo é bem-vinda.

Nova York, dos exemplos que vi, a cidade mais comparável a São Paulo, pelo seu tamanho, reduziu a velocidade das suas vias. Nas cidades europeias que já visitei, o limite de velocidade também é relativamente baixo.

Aliás, o grande problema do trânsito de São Paulo é o próprio carro. É a quantidade de pessoas que não precisaria ir de carro para o trabalho, para a faculdade, para o que for, mas que vai mesmo assim, por qualquer que seja o motivo: falta de opção de transporte público, falta de transporte público de qualidade, ou por não abrir mão do conforto do carro, do status, etc.

É simples, gente: não cabe mais tanto carro na rua.

É preciso oferecer à população condições para que ela troque o carro por outras formas de transporte. Nisso, São Paulo sente demais a falta de uma rede de metrô decente. Os projetos todos são ótimos, mas quando vão sair do papel? A Linha Amarela ainda não está pronta, a Linha Lilás está cada vez mais atrasada, o monotrilho não termina nunca…

Enquanto isso, ainda bem que tem alguém tentando resolver. Faixas exclusivas de ônibus são o ideal? Não. Mas ajudam demais.

Até 2012, para ir de Santo Amaro à Paulista de ônibus, eu levava 1h15, 1h30. Cheguei a levar 2h20. De carro, como muitas vezes ia, gastava 30, 40 minutos. Desde o meio de 2013, dificilmente levo mais de 1h15 de ônibus. O normal é 1h. E, de carro, levo 40, 50 minutos, pago gasolina e 25, 30 reais de estacionamento. Contra os 3,50 de uma passagem comum de ônibus/metrô.

Tem que ter mais metrô, tem que ter mais ônibus, tem que ter mais ciclovias, tem que ter mais alternativas.

Podem chamar de prefeito-pintor ou o que for, alguém precisava tomar essas atitudes. Vocês me taxam de petista, comunista, etc., mas eu votaria em qualquer candidato que corresse atrás de resolver o problema. E sabem com o que o Haddad disse que eu mais concordo? Que o paulistano quer uma revolução, desde que não se mexa em nada.

Indústria da multa? Ouvi falar que tem um jeito que funciona para quebrá-la, e, assim, não contribuir com a maior arrecadação que estão procurando: andar dentro do limite de velocidade. Será que dá certo?

14 comentários

  1. Paulo disse:

    Belo texto, concordo com você. Eu não consigo entender porquê tanta rejeição às ações do Haddad em SP.

  2. Zé Maria disse:

    Renan, boa noite.
    Sem questionar o mérito de suas colocações, o que ouvi dizer é que a redução de velocidade foi implementada para reduzir o risco de atropelamento dos ambulantes que perambulam pelas vias vendendo coisas tipo água, biscoito, mata-mosquito e fio carregador de celular.
    Surreal. . .
    Abraço.
    Zé Maria

    • Sim, mencionaram como um dos motivos a redução de atropelamentos. “Ah, mas ninguém atravessa a Marginal”, natural se pensar. Sim, há os ambulantes, há gente que atravessa, principalmente de madrugada, para dormir embaixo das pontes, já vi aos montes. Não está certo. Mas pense em uma outra situação: o pneu do seu carro furar, o carro quebrar. Você vai precisar ficar a pé no meio da Marginal.

      • Nando Figueiredo disse:

        A questão das marginais é mais complexa.
        Quem precisa andar por ela durante o dia, principalmente fora dos horarios de pico nota a evidente falta do minimo de pensamento voltado ao bom funcionamento do transito.
        Veja o caso de um dos novos radares da marginal http://www.metrojornal.com.br/nacional/foco/campeao-de-multas-radar-flagra-77-carros-por-hora-em-sao-paulo-133506
        A CET informa que são 77 multas por minuto o que já seria muito, mas informa errado pois a proibição só é valida por 9 hs por dia, ou seja, são quase 206 multas por hora.
        Muitos vão dizer mas esta sinalizado não adianta dizer que a mais de 30 anos a conversão era permitida e agora não é.
        Acontece que a CET não cumpre a legislação de transito e coloca a placa de proibição depois do retorno como pode ser visto na foto, quando deveria já ter uma sinalização a pelo menos 100 mts antes do retorno, e em todas as outras alças de acesso esse retorno é permitido o que é claro induz ao erro.
        A nossa CET não esta empenhada em melhorar o transito pois ela sabe que um transito travado ira gerar mais desrespeito e por consequente mais multas.
        E por que ela tem esse pensamento? Porque parte do valor arrecadado é destinado a ela, ou seja, ela é destinataria de parte de todas as multas que ela ajuda a gerar com o transito.
        Ou seja, já nasce errado. Afinal vou querer educar a população e sinalizar de forma correta as vias para evitar infrações se é com as infrações que se sustenta a maquina dessa empresa publica? A resposta é evidente, não.

  3. Sanzio disse:

    Nunca consegui andar a mais de 70 KM/h na via expressa das marginais, mesmo. Pra mim não faz diferença.
    Já teve vezes que o GPS me mandou sair de repente da expressa para entrar em alguma rua e alguém quase bater em mim porque vinha muito rápido. Diminuindo a velocidade, aumenta-se o tempo de reação e acidentes como esse são evitados. De repente é até lucro, porque com menos acidentes, tem-se menos faixas interditadas, menos lentidão e maior fluidez no trânsito. Menos acaba virando mais.

  4. petrafan disse:

    olá.

    eu entenderia este texto se fosse uma carta opinativa de um leitor em um periódico qualquer.

    porém, como texto assinado por um jornalista cujo foco são as competições automobilísiticas, somente duas palavras podem definir o texto: mau jornalismo.

    o texto não leva em consideração os enormes furos nas justificativas apresentadas pela prefeitura para a redução de velocidade máxima nas marginais.

    por exemplo, o secretário de transportes disse que um carro ocupa uma área de 14 metros quadrados. temos por aí algum carro de 7 metros de comprimento e 2 de largura circulando em nossas ruas e avenidas?

    outro exemplo: não foi apresentada nenhuma correlação entre a quantidade de acidentes nas marginais e a velocidade. provavelmente, não existe essa correlação, assim como também não existem dados para comprová-la. se existem, o secretário não fez o trabalho que qualquer estagiário ou profissional iniciante em uma boa empresa aprende logo ao ser contratado, que é o de apurar os dados, classificar as informações geradas por esses dados, estabelecer correlações entre essas informações e montar tabelas (ou textos) coerentes, que embasem os argumentos. isso, qualquer novato em uma empresa coloca em prática para poder preparar uma apresentação para a convenção comercial da empresa ou para a reunião semanal da diretoria.

    o texto também não leva em consideração o “percentil 85″, que é um padrão mundial recomendado para a definição de limites de velocidade.

    ainda, o texto também não leva em consideração que, justamente na América do Norte, muitos limites de velocidade tem sido revistos para cima pois as autoridades descobriram que, após tê-los reduzido, a quantidade de acidentes aumentou.

    (aliás, informações sobre o percentil 85 e sobre os aumentos nos limites de velocidades para reduzir acidentes em países como EUA e Canadá são de fácil acesso pelo Google. ou mesmo logo ali, no site parceiro Flatout.)

    por sinal, nenhum jornalista dos demais órgãos de mídia notou estes pontos, ninguém questionou o secretário sobre a alegada área de 14 metros quadrados ocupada por um automóvel, ninguém pediu para ver o cruzamento de dados que permitiu concluir que a velocidade foi de fato a causa majoritária de acidentes nas marginais no período apurado. ninguém procurou informações sobre cidades de outros países que reduziram os limites, viram as quantidades de acidentes aumentar e agora estão voltando aos limites anteiores. mau jornalismo da parte de todos os representantes da imprensa que trataram do assunto.

    pelo contrário, o que se sabe até agora é que o número de acidentes nas marginais, apontado pela prefeitura como base para a medida de redução, é baseado num relatório de boletins de ocorrências registradas nas marginais. e só. sem qualquer classificação, tabulação ou trabalho de estatística básica.

    ou seja, é vergonhoso a prefeitura da maior cidade do hemisfério sul, na pessoa do seu secretário de transporte e com o auxílio de uma companhia que, supostamente, é de engenharia de tráfego, basear uma decisão como essa em argumentos tão mal construídos.

    portanto, a grita geral contra a medida não reflete apenas um pensamento individualista dos donos de carros. (por sinal, vans, ônibus e caminhões também usam a marginal. queiramos ou não, o modal rodoviário ainda é majoritário no transporte de passageiros, mercadorias, pacientes de hospitais, passageiros para aeroportos, etc.). a tal “histeria” é exatamente pelo fato de tal medida ter sido tomada de forma tào arbitrária, e com argumentos tão porcamente construídos.

    da forma como está, o texto infelizmente cai na categoria do “gosto do prefeito, concordo com a medida, até votei nele, e quem é contra está errado”. mau jornalismo puro. e o parágrafo final é o corolário. afinal, a visão implícita – ou melhor, explícita – é a seguinte: “basta reduzir limites e está tudo certo. se o limite for para 30 km/h e eu gostar do prefeito, a medida tem todo o meu apoio. no dia em que chegar a 10 km/h, aceitarei sem questionar, e você que questiona, simplesmente restrinja-se a obedecer ao limite.”

    opinião, qualquer um pode ter. mas não pode virar mau jornalismo.

  5. Marcio disse:

    Não sou “direitopata”, aliás me causa espanto o recorrente uso distorcido dos termos direita e esquerda na sua conotação política. Dizer que o PSDB é um partido de valores de direita é, para mim, a prova de que lavaram os cérebros dos cidadãos com cocô. É só dar uma olhada no que os partidos de direita na Europa pregam, e veremos que no Brasil não há NENHUM partido de direita. Fato.
    Pois bem, li seu texto e é também fato que falta metrô em São Paulo. Morei um bom tempo a 100m de uma estação de metrô que pouco usava, simplesmente porque o metrô de São Paulo liga o nada a lugar nenhum. Por isso mesmo, comparar São Paulo a Nova Iorque, Tokyo ou Paris é covardia. Aliás, chamar o brasileiro de coxinha porque viaja para o exterior e usa o metrô é o cúmulo do complexo de vira-lata. Se o negócio funciona, por que não usar? Se estou passeando, a última coisa que quero é perder tempo dirigindo, a não ser que esteja dirigindo algo interessante!
    Voltando ao assunto de seu post: o que causa indignação no povo é a maneira amadora com que se trata o assunto trânsito e, falando por mim, isso não é exclusividade de São Paulo. No caso de São Paulo, o prefeito Maníaco da Bicicleta está implantando uma rede de ciclovias no canetaço, admita você ou não, porque grande parte da malha é inviável. Meu irmão é cicloativista há mais de 20 anos, e ao invés de ficar feliz com o que está sendo feito, está é com medo. A obra na Radial Leste, por exemplo, é simplesmente porca! Será que falta tanto engenheiro no Brasil para que não seja feito um projeto? Se bem que, para sua alegria, isso não vem acontecendo só neste governo: lembra da faixa exclusiva de motos na Avenida Sumaré? Que fim deu aquilo? Foi “desimplantada” porque descobriram que não trazia benefício e colocava a vida dos pedestres em perigo. Por quê não foi feito um estudo sério antes de implantar, use-se um supercomputador de alguma faculdade e teste-se o modelo poxa!
    Chegamos então ao verdadeiro problema: o secretário Tatu disse que a redução da velocidade nas marginais é para evitar mortes. Você chegou a ver a apresentação que ele preparou para defender o ponto de vista da prefeitura? Você viu ele afirmar que um carro ocupa o espaço de um VUC, e que freia como se fosse um treminhão tuchado de cana (inclusive o condutor)? Aquilo não existe Renan, não existe! E mesmo que existisse, se o problema são os atropelamentos e a prefeitura está tão preocupada, porque não diminui a velocidade nas faixas exclusivas de ônibus, já que os atropelamentos por ônibus estão aumentando? E de quê adianta reduzir o limite de 90 para 70km/h, se estudos sólidos apontam que a 50km/h a chance de morte já ultrapassa 80%?
    Desculpe vir aqui no seu espaço e escrever tudo isso, mas não acho justo você dizer que o descontentamento generalizado é apenas um mimimi. Eles são pagos para fazer um trabalho sério na administração, acho que nenhuma empresa séria aprovaria um projeto se o gerente fizesse uma apresentação como a que foi feita pelo Tatu. É trabalho da imprensa séria analisar os fatos e buscar dados consistentes, e quando o entendimento da matéria extrapolar o seu campo de conhecimento, buscar especialistas sérios que possam opinar de maneira consciente (e nem falei de isenção), quiçá buscando opiniões divergentes que possam esclarecer melhor ainda.
    Escrever tudo o que você escreveu defendendo uma decisão falha da administração municipal só para tentar validar a sua concordância com a proposta macro do prefeito é, para mim, muito triste e irritante. Trânsito é assunto sério e deveria ser tratado como tal, as ruas não são tubo de ensaio para ficarem sendo testadas assim.

  6. Carlos disse:

    A redução de velocidade foi implementada tendo com o argumento da redução no nº de mortes de motociclistas e ambulantes. Contudo, as motos continuam como sempre faziam antes da redução, andando muito acima do limite de velocidade e não há radar que as reprima e não há nenhuma medida concreta para impedir seus excessos. Qualquer um que ande por lá vê isto todos os dias. Quanto aos ambulantes também continuam por lá, andando por onde não é permitido andar. Também não há nenhuma medida para organizar esta anomalia. Quantos aos moradores que por lá circulam, também não há nenhuma ação para corrigir o problema. Então reduzir a velocidade fica bem na manchete mas é bom acompanhar os índices de mortalidade, porque dificilmente irão mudar tendo em vista que o problema vai permanecer.

  7. Al disse:

    Não vejo a redução de velocidade como meio de proteger ambulantes, até mesmo porque estes só ocupam as vias quando ocorrem congestionamentos, e neste caso, será um luxo para qualquer um manter 50Km/h…
    Claro que eu prefiro circular a 90Km/h. A via expressa das marginais comportaria até mesmo 100Km/h, sem problemas de segurança.
    Ocorre que com o volume de carros, menos pode ser mais. Quando o limite é de 90, os carros andam mais espaçados, e cada freada é mais brusca, pois a velocidade é maior. Além do maior risco de acidente, a freada do carro da frente é propagada para os que vão atrás, de modo que pode acontecer do da frente ter reduzido momentaneamente de 90 para 40 e do décimo carro em diante terem parado todos. Aí o que parou tem que reiniciar, e os seguintes, atrasando tudo. Assim se criam vários congestionamentos; a gente fica parado por um tempo, daqui a pouco volta a andar, e a gente segue em frente sem encontrar motivo aparente para o congestionamento.
    Por outro lado, com um limite menor, além dos carros poderem andar mais próximos, o que aumenta o fluxo, as reduções de velocidade são menos bruscas. No final das contas, por incrível que pareça, em condições de tráfego intenso, você percorrerá a via mais rápido com limite de 70Km/h que com todo mundo tentando andar a 90.
    O ideal, é claro, seria termos uma sinalização eletrônica variável, que permitisse 90Km/h em condições de pista livre, mas baixasse para 70, ou até mesmo para 50 com o aumento do volume de tráfego.

  8. Jurandir Oliveira disse:

    Renan,

    O maior problema é andar a 50km/h na pista local da Marginal, e a incoerência do discurso da redução porque a Marginal é uma via onde se tem muito pedestres, sendo que nas principais avenidas, onde temos muito mais pedestres que na Marginal, o limite é de 60km/h.

    E a ideia de fechar a pista expressa das Marginais nas madrugadas? Já acompanhou como é grande o fluxo de caminhão nas Marginas após às 22hs, justamente quando termina a restrição para caminhões?

    Tem muito tráfego e muito trânsito, essa medida seria caótica. Esse prefeito é um excêntrico, que está brincando com a cidade e com a cara do cidadão paulistano.

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