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29 de janeiro de 2015 - 19:49Indy

Brasília sendo Brasília

brasilia boxesJEREZ DE LA FRONTERA | A única coisa que me deixa surpreso no cancelamento da Brasília Indy 300 é que não foi por causa das obras e, sim, por um fator ainda obscuro. Foi política. O dinheiro antes reservado para a corrida será usado com outra finalidade. Estamos tentando descobrir qual. Tem relação com a mudança de governo no Distrito Federal.

Mas agora, como alguém que gosta de automobilismo, me vem uma preocupação muito maior do que o simples cancelamento de um evento. É uma vergonha, mas tem coisa pior. A pista estava sendo reformada por causa da Indy, com o recapeamento, a readequação das áreas de segurança e a demolição dos boxes. Foi tudo abaixo.

Vão colocar dinheiro lá para terminar a reforma e voltarmos a ter Brasília como um circuito apto a receber corridas ou será o fim do Autódromo Nelson Piquet? Aliás, o segundo Autódromo Nelson Piquet que morre, já que este também era o nome de Jacarepaguá.

Mais uma pancada na cabeça do sempre combalido automobilismo nacional. Na mesma medida em que pontos positivos surgem e animam, golpes como este nos trazem de volta à realidade.

Atualização: Importantíssima, para o assunto deste post, a nota divulgada pelo Ministério Público do Distrito Federal. E dá pistas sobre o futuro sombrio da pista…

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) expediu recomendação, na última quinta-feira, dia 22, aos presidentes da Terracap e Novacap para que se abstenham de licitar, realizar, autorizar, empenhar, liquidar, reconhecer ou pagar quaisquer despesas relacionadas com a reforma do Autódromo Internacional Nelson Piquet.

No documento, os promotores de Justiça ressaltam que o termo de compromisso assinado pelo ex-governador do DF Agnelo Queiroz com a Televisão Bandeirantes Ltda para realização do evento Fórmula Indy no autódromo é desprovido de força normativa capaz de implicar o erário distrital. O MPDFT afirma, ainda, que o contrato firmado entre Terracap e a empresa de televisão está maculado de diversas irregularidades, além de ser lesivo aos cofres públicos.

20 comentários

  1. Guilherme Menezes disse:

    Malandragem deve ser combatida … Se houve irregularidade e o MP agiu para proteger dinheiro público , PARABÉNS ! Dar aval para bandido é que não pode !

    • JASPE JB disse:

      O título “Brasília sendo Brasília” ofende a todos nós que nascemos, vivemos e crescemos aqui. Se a intenção do título era ser ofensiva contra a capital do país, creio que a atitude responsável de priorizar os gastos com outras ações importantes, frente à crise que vivemos no DF desde Dezembro do ano passado, é motivo de orgulho. O automobilismo é importante para o esporte, o lazer e a cultura nacional; mas não é mais do que o cumprimento de direitos fundamentais do cidadão (educação, saúde, segurança, etc.) , de responsabilidade do Governo.

    • Ton disse:

      Quem deve ser investigado é o governo passado que deixou o distrito federal quebrado. Esse sim deveria ser responsabilizado, mas é PT né, então.

  2. Alan disse:

    Vergonha! Concordo com o Renan… Vejo o fim pela frente! Sr Agnelo Queiroz, que ainda está no Caribe… Melhor correr para mais longe e se esconder no Alasca… Pq o bicho vai pegar aqui em Brasília!

  3. JASPE JB disse:

    Nós, brasilienses, sabemos o caos causado pelo governo Agnelo Queiroz que culminou na falta de pagamento a médicos, enfermeiros, professores e demais servidores públicos. A população está, desde Dezembro, sofrendo com repetidas greves e falta de materiais que trazem consequências irretocáveis à saúde e à educação dos nossos cidadãos. Se o GDF fez, por recomendação do MPDFT, entender que o momento é priorizar e deixar gastos milionários com atividades de esporte e lazer em segundo plano, ele está de parabéns! Adoramos o automobilismo, mas não podemos justificar esses gastos ainda mais nesse momento de crise econômica que estamos vivendo no Distrito Federal. Creio que haverá um momento mais oportuno para o Autódromo Nelson Piquet tornar-se uma referência no automobilismo mundial.

  4. Carlos disse:

    Não sabe o motivo? obscuro???
    Esse dinheiro vai ser empenhado para o pagamento de dívidas vencidas, salários do funcionalismo atrasados, 13 ainda não pagos, sem contar outras pendências da administração anterior. É público e notória a situação do GDF que está falido!!!
    Não sabe o motivo!!!! ….. chega a ser cômico.

  5. Chapa disse:

    Renan,
    o fator não foi politico. foi DECÊNCIA !
    Tá na hora da imprensa e da cultura brasileira parar com esse negócio do Estado bancar o circo do futebol, da F1, da F-Indy, do carnaval, etc.
    Porque não organizam uma prova com capital privado igual é feito nos EUA e na Europa ?
    Parabens ao MPDFT !!!

    • Diversos eventos esportivos nos EUA e na Europa têm capital público envolvido. A questão, de fato, é se esse dinheiro deveria ser aplicado ou não em outra área. Ainda bem que fizeram diferente em Brasília.

  6. Mika Guedes disse:

    Renan, realmente aí de Jerez de la Frontera não é possível acompanhar o caos que o DF está passando devido à uma péssima administração do governador passado que foi massacrado pela população através das urnas. Fica claro que nós brasilienses estamos pensando no bem da população quando vemos casos como o cancelamento da prova da F-Indy. “Brasília sendo Brasília” foi um péssimo título para uma péssima matéria. Primeiro você deveria conhecer o fato antes de publicar palavras soltas no ar. Sim, um dia quem sabe o Autódromo Nelson Piquet volte a figurar entre os grandes do país, mas desde que antes a capital federal tenha saúde, educação e segurança de qualidade, preocupações muito maiores que uma simples corrida de F-Indy.

  7. Ricardo Cérbero disse:

    Sério isso, que os brasilienses estão levando isto para o lado pessoal devido ao título da matéria?

    “Brasília sendo Brasília” é devido ao Praça dos Três Poderes, onde ‘palavra’ e ‘responsabilidade’ é mera retórica político-partidária, é tão difícil assim de entender? Se o Brasil fosse um país sério e civilizado, isso não aconteceria, e se alguém propusesse isso, deveria ser processado. Onde estava este mesmo MP quando foi iniciado a promoção/proposta do evento para bloquear e denunciar o projeto? Mesmo que a obra foi paralisada, já teve movimento, o que já gerou custos ao contribuinte, este dinheiro “já era”, mesmo que seja um “punhado” de milhares de reais.

    Menos, pessoal. Respeito o direito de vocês de se manifestar, mas Brasília, assim como o resto do país, um pouco mais ou um pouco menos, um pouco para cima ou para baixo, na maioria dos assuntos de interesse público, estamos todos na mesma merda.

    Abraço.

    P.S.: isso tá com cheiro de golpe imobiliário. Não ficarei surpreso se aparecer alguma empresa no médio prazo arrematando tudo a preço de banana, pois o mais difícil, que era destruir ou sumir com o autódromo – o “serviço sujo”, podemos dizer – já está feito.

  8. Adalberto disse:

    Renan, boa tarde.

    Parabéns ao MPDFT. Cumpriu sua função.

  9. Rogerio disse:

    Prezados,
    Não vi no título da materia nenhum preconceito contra os brasilienses. Brasília é não apenas a casa de milhões de brasilenses honestos, mas também é o centro da política nacional. Vejo que o título acusou a política, e não os brasilienses. Vale mencionar que tenho muitos amigos na cidade.
    Voltando ao assunto da paralização das obras e do cancelamento da corrida, é uma pena e um absurdo mesmo! O autódromo é um bem publico e serve não apenas para a corrida de Indy, mas para todas as outras corridas. A reforma é para beneficiar todas as corridas! De mais a mais, o autódromo já está com a reforma pela metade, com mais um mês de obras ficará pronto. Todos achamos um aburdo quando vemos um viaduto ou um hospital inacabado (pois é um dinheiro publico desperdiçado). Com o autódromo é o mesmo! Ele é publico. No ano passado morreu uma piloto de moto no autódromo de Brasília, e as péssimas condições da pista estavam favorecendo tragédias deste tipo. Outra coisa a ser mencionada é que em Brasília existem equipes de automobilismo que empregam muita gente e usam o autódromo como base. Sem o autódromo, o que sera do emprego dessas pessoas?
    O fato de existirem setores carentes de dinheiro no DF (saúde, etc) não pode ser usado como justificativa para parar uma obra faltando 1 mês para a conclusão da mesma. A impresa especializada e os profissionais do automobilismo tem que fazer um manifesto pela conclusão da obra. Se fosse para direcionar o dinheiro para outra area, isto deveria ser feito antes da obra ter chegado neste ponto.
    Renan, parabéns pela materia!

    • Alessandro disse:

      Se você ler o despacho do ministério publico do distrito federal vai ver que a coisa não é tão simples assim (recomendo a leitura). Lá mostra que o contrato que foi assinado em setembro tem inúmeras irregularidades que foram escondidas e ignoradas, a responsabilidade por essas irregularidades é do governador anterior, mas se o novo governador foi contra o que o ministério público recomendou ele seria responsabilizado criminalmente também pela irresponsabilidade do outro. Fora que não é só construir a pista, realizar um evento desse porte gera inúmeros outros gastos adicionais com publicidade, infraestrutura, segurança e muito mais. Acho que na atual situação onde o governo do DF está ralando para pagar os salários de professores e médicos, entre outros servidores, foi uma decisão sensata sim.

  10. JASPE JB disse:

    Qualquer obra que não priorize o interesse público pode ser interrompida SIM se há urgência para atender o que é mais prioritário para a população. O DF está funcionando aos trancos e barrancos com um rombo de R$ 3,5 bilhões de reais e, pontualmente, o cancelamento da prova e a interrupção da obra foi a decisão mais acertada. O contrato com o GDF foi assinado em Setembro de 2014 e foi profundamente estudado pelo MPDFT que fez a sua recomendação ao Governo. Os órgãos do DF, nesse teor, estão de parabéns.

    A questão que realmente macula a imagem do Brasil para o exterior é o nosso profundo problema de planejamento para a organização de eventos de grande porte como a Fórmula Indy. O GDF já sabia, em Setembro de 2014, que não teria como honrar demais compromissos com o funcionalismo público e com contratos assinados para serviços de limpeza urbana, transporte, segurança predial, entre outros; o rombo já existia. Ainda assim, aceitou assinar o contrato e bancar uma reforma mesmo sem dinheiro em caixa. Questões políticas influenciaram a assinatura de um contrato que nasceu errado e isso, a meu ver, implica culpa ao gestor público à época, Agnelo Queiroz que, naquele momento, já saberia que não venceria as eleições (era o terceiro nas pesquisas de intenção de voto).

    Eu já tinha comprado o meu ingresso. Triste pela falta do evento, mas feliz por acreditar que a melhor decisão foi tomada.

  11. JASPE JB disse:

    A íntegra do despacho do MPDFT: http://www.diariomotorsport.com.br/2015/01/conheca-a-integra-do-despacho-do-ministerio-publico-que-resultou-no-cancelamento-da-brasilia-indy-300/ .

    Não é somente 1. São VINTE e TRÊS (!!!) motivos recomendados pelo Ministério Público pelo cancelamento do evento.

  12. João disse:

    Brasília sendo Brasília? O título deveria ser “Brasília sendo Brasil”.

  13. Francisco disse:

    E a multa pelo cancelamento da prova? Me parece que é muito maior que o valor da reforma…Vamos gastar mais dinheiro, ficar sem a corrida e o pior, ficar sem autódromo. Alguém duvida ?

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