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F1 Grand Prix of Italy - Practice

11 de dezembro de 2014 - 11:19F1

O homem das escolhas erradas

SÃO PAULO | Ao sair da McLaren em 2007, Fernando Alonso tinha algumas opções para 2008. Pode escolher entre Red Bull e Renault, e optou pelo retorno à Renault.

No fim de 2008, a Honda queria contratá-lo. A novela se estendeu por alguns meses, e o espanhol quis mesmo falar não.

Para 2010, assinou com a toda-poderosa Ferrari, que vinha de um ano ruim, acreditando que teria nas mãos o melhor carro do grid para correr atrás de títulos e mais títulos.

Em 2015, Alonso estará de volta à McLaren.

A história, nós conhecemos: Alonso venceu duas corridas e marcou uma pole com a Renault em 2008 e 2009, enquanto a McLaren foi campeã e a Honda virou Brawn GP e deu a Jenson Button um carro fora de série que o levou ao título. Depois, a Red Bull emendou uma sequência de quatro títulos consecutivos e 50 vitórias. Simultaneamente, Alonso foi vice de Vettel três vezes com a Ferrari e venceu 11 corridas.

Olhando para trás, é fácil fazer essa análise. Ao estudar História, aprendemos que não podemos ser anacrônicos. Portanto, vamos às necessárias ponderações sobre o assunto:

Não dava para continuar na McLaren. A Red Bull não era nada mais do que um ambicioso projeto em 2007. Era uma aposta que Alonso não queria assumir. A outra proposta era a da Renault, time bicampeão em 2005 e 2006. Em 2008, a Honda era aquela draga. Ninguém imaginava que o RA109, posteriormente chamado de BGP-001, seria tão bom. E a Ferrari era a maior equipe do grid, campeã de Construtores de 1999 a 2004, em 2007 e em 2008. Aliás, a chance de correr pelo time vermelho em 2010 já estava na mira.

Posto isso, é preciso dizer: por mais que houvesse alguma lógica, algum sentido nas decisões tomadas por Fernando Alonso, todas elas se mostraram erradas. E agora, com esse retorno à McLaren-Honda, por que devemos acreditar que a escolha correta foi feita?

A Honda não chega de brincadeira. Fez um planejamento de longo prazo, quis entrar na categoria um ano após a introdução dos V6 turbo para adquirir mais experiência com essas complexas unidades de força e está disposta a retomar a parceria vitoriosa que teve com a McLaren entre 1988 e 1991. Há um nome a zelar. O investimento é pesado, tanto na tecnologia quanto na grana desembolsada para contratar o espanhol.

Também não dava para continuar na Ferrari. O ambiente não era mais positivo, e Alonso não botou fé no projeto de reconstrução que está sendo elaborado por James Allison, inicialmente sob a coordenação de Luca di Montezemolo e Stefano Domenicali, depois por Marco Mattiacci e agora por Sergio Marchionne e Maurizio Arrivabene. Mudanças demais para uma equipe que está alguns anos atrasada, e o tempo está correndo para Alonso, que vai completar 34 anos em 2015.

Ao mesmo tempo, Alonso não está trocando o duvidoso pelo certo. Está trocando o duvidoso pelo duvidoso. O fracassado teste do V6 turbo da Honda em Abu Dhabi foi preocupante. A McLaren errou feio a mão nos últimos dois anos e deixou de brigar por vitórias. Nas últimas 38 corridas, os melhores resultados foram o segundo lugar de Kevin Magnussen e o terceiro posto de Jenson Button no GP da Austrália de 2014. E ocorreram mudanças internas que não estão exatamente claras. Martin Whitmarsh saiu e Ron Dennis passou a ter um envolvimento mais direto com a equipe de corridas, Éric Boullier chegou, mas é possível que mais mudanças ainda aconteçam. Não houve patrocinador-máster em 2014, tampouco foi anunciado um acordo para 2015 — embora, com a presença de Alonso, isso tenda a ser mais fácil.

Alonso não sabe o que será desta segunda passagem pela McLaren.

O bicampeão é, sem dúvida alguma, um dos três melhores da atualidade. Mas estagnou. Tem 32 vitórias na carreira, não vence há 33 GPs e não é campeão há oito temporadas. Guiou muito bem e foi capaz de lutar por três títulos até a última corrida neste período e está entre os pilotos que certamente poderiam ter vencido mais na F1, porém é preciso reconhecer que essa estagnação se dá não apenas pela falta de carro ou de equipe, mas também pelas escolhas feitas pelo próprio Alonso.

25 comentários

  1. andre disse:

    Acho que no caso não são escolhas errada, o que falta para o Alonso é competência para transformar um time em posição intermediária em campeão, acho que mesmo com a tecnologia a qualidade técnica do piloto também faz a diferença; o Alonso tem qualidade de pilotagem mas lhe falta qualidade técnica para auxiliar os profissionais no desenvolvimento do carro.

    • CElso disse:

      Gostaria de dizer que concordo com o Sr. Andre’.
      E’ a percepcao que tenho do Alonso, grande polito, giuerreiro, porem limitado no sentido de aprimorar ou consertar um carro mediano. Caracteristicas que sobram num Rubens Barrichello (porque o Schumaker TAMBEM nao era’ bom acertador) e no Piquet e Weber (Vetel tambem nao acerta bem o carro). Vejamos o que o Vetel vai poder fazer na ferrari (letra minuscula intencional). Nao estou otimista.

  2. João Paulo disse:

    Olha a conta bancária dele e veja se as escolhas foram erradas…

    • Tiago disse:

      hahaha. É isso aí. Mas não acho que foram escolhas erradas.
      Penso que foi falta de sorte para estar na equipe certa no momento certo.

    • Marco disse:

      Exato man.
      O cara acaba de assinar um contrato de 40 milhões de dólares por ano.
      São mais de 80 milhões de reais por ano em um contrato de 3 anos.
      Eu acho que ele optou por dinheiro aos títulos.
      Olhe Vettel: 4 vezes campeão do mundo. Como o salário dele era por bônus por vitórias, ano 2014 ele faturou “só” 10 milhões de euros, enquanto Alonso e Hamilton faturaram 22 milhões de euros fixamente.

  3. Bignose disse:

    dificil dizer algo mais depois desse texto, digo apenas que na minha modesta opinião Alonso continua sendo o melhor piloto na atual fórmula 1 ou melhor…o El fódon de las Astúrias!!!

    • andre disse:

      Discordo, já que quando disputou em igualdade de condições com o Hamilton de companheiro de equipe, mesmo o Hamilton sendo um estreante, terminou atrás dele no campeonato então não enxergo essa superioridade pelo menos em relação ao Hamilton

  4. Ataíde disse:

    Nao esquecer que a Honda chegou na Mclaren apos estar desenvolvida na Williams e Lotus !

  5. Paulo Pinto disse:

    O homem das escolhas erradas. E que continue assim!

  6. Gabriel Leonardo disse:

    A mclaren será patrocinada pela Movistar , que é comandada pela Telefônica, que por sua vez acompanhou o Alonso na época da Renault. Onde tem Alonso tem patrocínio pesado espanhol e eu que sou fã do melhor piloto do grid (Hamilton) acredito que a combinação Alonso, Mclaren e japoneses vai dá certo já do começo

  7. André Escobar disse:

    Melhor piloto, sem dúvida, porém é um desagregador da equipe. Não aposto um centavo em seu terceiro título. Abraços

  8. Sieg disse:

    Pra quem estava acostumado com as dragas da Ferrari nos últimos anos, pegar um motor novo, provavelmente com problemas técnicos diversos e até baixa durabilidade, será moleza. Capaz que a Honda já chegue com um motor melhor que o dos franceses e o italiano, perdendo só pro dos alemães. Mas dificilmente o Alonso conseguirá mais do que aumentar sua frequência no pódio… se tudo der certo, a briga será com a Williams e Red Bull, não com a Mercedes, que ainda tem tudo pra ficar isolada lá na frente.

  9. Jobson disse:

    Renan,

    Ótimo post,

    O pódio da McLaren foi no GP da Austrália de 2014…

    Abs.

  10. Wagner disse:

    Esses estágiários de f1 só fazem matéria fraca. Tem que comer muito feijão pra comentar de f1!

  11. Ricardo disse:

    Por menos de 10 pontos, Alonso não é seis vezes campeão mundial!! Lutou contra a hegemonia de um time, a RedBull foi a Mercedes de anos atrás, o Vettel é que fez parecer difícil, na minha opinião…
    Financeiramente, teve ótimos contratos, e apesar de não ter vencido um título, é reconhecidamente o melhor piloto da f1 atual.
    Com a tecnologia atual dos carros, onde não se anda o tempo todo de pé em baixo (gerenciamento de pneu e combustível) e o preparo físico dos pilotos atletas (Button por exemplo é triatleta de IronMan), Alonso poderia correr após os 40 anos, não há dúvidas!

  12. Razor disse:

    Acho que Alonso fez as escolhas possíveis em certos momentos da carreira. Escolha infeliz acho que foi apenas a saída da McLaren em 2008, ali ele poderia ter vencido o título.

    Mas não deixa de haver algumas semelhanças com Carlos Reutemann…outro que sempre cavou o terreno sob seus pés com posturas hora arrogantes hora taciturnas e assim conseguia apenas a antipatia do pessoal com quem trabalhava.

    Acho que 2015 vai ser um ano bem duro para a McLaren, mas a temporada de 2016 deverá ser o ano da maré virar para os lados de Woking.
    A não ser que o Tio Bernie consiga efetivar a troca de motor que ele disse querer. Nesse caso, as cartas voltam a ser embaralhadas, e não se sabe o que pode sair nesse novo corte…

  13. Luiz disse:

    Alonso é sem dúvida um bom piloto, mas peca quando o assunto é desenvolver o carro. Não consegue pegar um carro ruim e transformá-lo num caarro vencedor.

  14. Pedro disse:

    A vida é de escolhas certas e as erradas. O fator sorte também influencia. Fatores muito importante, partindo do pressuposto que as equipes tenham pneus iguais e motores de rendimento parecido. 1) Dinheiro 2) Estrutura da equipe 3) Projetista

    O projetista John Barnard sempre dizia que o conhecimento mecânico de um piloto não interfere em nada nos seus carros, esta indireta ele deu para o Piquet na Benetton e também para o Prost na McLaren. Os equipamentos de análise (tipo telemetria). os túneis de vento e os pilotos de testes dão resultados bem superiores a análise de um piloto, portanto Alonso teve azar nas suas escolhas.

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