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MAVTV 500 Ð Day 2

2 de setembro de 2014 - 13:32Indy

Power e Penske: trabalho

SÃO PAULO | Passado aquele que acabou sendo o meu primeiro “feriado” do ano, voltemos para falar do que aconteceu de mais importante neste período: a final da Indy. E a Penske, maior equipe da categoria, finalmente voltou a ser campeã, algo que não fazia desde 2006, com Sam Hornish Jr.

Escrevi há alguns dias que ninguém merecia o título mais que Will Power, apesar dos muitos erros que cometeu ao longo do ano. A tese se confirmou. Acontece que ele foi mais incisivo em seus grandes momentos, aproveitou melhor as oportunidades que teve. Mas, acima de tudo, soube se reinventar.

Helio Castroneves, vice pela quarta vez na carreira, é um dos pilotos mais completos da categoria — senão o mais completo. É muito bom em circuitos ovais e muito bom em circuitos mistos. Mostra isso desde o início da carreira, com as vitórias que conquistou na CART e os triunfos em suas duas primeiras participações nas 500 Milhas de Indianápolis, e foi capaz de disputar título nas duas fases da Indy, com a predominância de ovais e com a predominância de mistos.

Power não conseguia andar bem em ovais, e perdeu os campeonatos de 2010, 2011 e 2012 por causa disso. Começava o ano sempre muito bem naquela sequência de São Petersburgo, Barber, Long Beach, São Paulo, mas perdia terreno na segunda metade da temporada. E se atrapalhava de vez nas finais, em ovais, como em Homestead em 2010 e em Fontana em 2012.

O australiano, depois do terceiro vice, teve um ano terrível em 2013. Erros, erros e mais erros. Só foi melhorar na fase final — e, aí, demonstrando grande evolução ao vencer uma complicadíssima edição das 500 Milhas de Fontana. Na Indy, ganhar uma prova de 500 milhas é, sem dúvida alguma, uma passagem de nível para um piloto.

Neste ano, Power continuou errando. Foi campeão também de punições. Cansou de estourar o limite de velocidade nos boxes, perdeu corrida por causa disso. Ainda se envolveu em acidentes aqui e ali. Em Houston, ele e Castroneves desperdiçaram boas chances de vitória que poderiam custar caro ao final da 18ª corrida. Mas a dupla da Penske soube lidar bem com os muitos altos e baixos deste campeonato — Power, obviamente, um pouco melhor. Principalmente Will.

O título de Power pode ser creditado a sua mudança de comportamento e sua evolução. Ele cresceu muito como piloto. Aprendeu a ser mais racional. É trabalho. “Aqui é trabalho”, diria Muricy Ramalho. Power, “here is work”. Mereceu.

E, em 2014, mereceu mais que Castroneves, que andou muito bem foi em 2013, quando sua derrota acabou sendo um pecado. Aquele campeonato tinha que ser dele, não fossem os dois problemas de câmbio sofridos na rodada dupla de Houston. Neste ano, ele enfrentou muitos contratempos que fugiram ao seu controle, como aquela falha no acelerador em Mid-Ohio.

Mas OK, dessa vez, o que acabou realmente custando caro foi o erro cometido em Fontana, na entrada dos boxes, até porque seria possível derrotar Power caso não tivesse pisado na linha branca. O australiano estava com um carro ruim no final da prova e só ficou mais tranquilo porque sabia que o adversário estava fora da volta do líder.

Em outubro de 2013, fiz uma entrevista com ele após a derrota para Scott Dixon, que veio a ser a capa da REVISTA WARM UP com a recorrente pergunta que se faz: “Será que ele nunca vai ser campeão?” Teve gente que disse que era desrespeito, sensacionalismo, mas não. É, de fato, uma pergunta recorrente. E foi respondida com naturalidade com ele, uma resposta que segue atual, embora dez meses tenham se passado:

“A partir do momento em que eu pensar assim é que não tem mais motivo para estar correndo. E, graças a Deus, a minha vontade, a minha paixão é muito grande para pensar nesse sentido.”

A entrevista daquela época, para quem quiser, está aqui. E traremos a de 2014 nos próximos dias.

Sinceramente, não acho que o título faz falta para Castroneves — embora isso não signifique que Helio vai ficar de fora do páreo no ano que vem; acho que estará lá novamente. O que vai realmente consagrá-lo de vez no automobilismo norte-americano é a quarta vitória em Indianápolis, que escapou por pouco em maio.

O título estava fazendo falta era para a Penske, e conseguir a dobradinha no campeonato é extremamente importante para dar tranquilidade ao esquadrão do ‘Capitão’. Quase conquistou um 1-2-3 com Juan Pablo Montoya, ainda, antes da Ganassi crescer nas últimas milhas em Fontana.

O jejum da Penske podia ser comparado ao que vive a Ferrari na F1. É a maior equipe, a mais famosa, a mais tradicional, mas estava há algum tempo sem ganhar. Com uma diferença: perdia nos detalhes. Exceção feita a 2007, brigou forte até o fim em todos os outros anos, mas acabou perdendo. Na F1, a Ferrari nem isso está conseguindo fazer, mas as circunstâncias são bem diferentes, então deixemos isso pra lá.

Fato é que a Penske agora pode voltar a bater no peito e afirmar que, de fato, é maior que a Andretti e a Ganassi. São 13 títulos. Assim como no caso de Power, a preparação foi fundamental. Dessa vez, não foi apenas um piloto que brigou, foram dois — e Montoya ainda sonhou, depois de vencer em Pocono. Trabalho, muito trabalho.

Para 2015, a tendência é que a boa forma se mantenha, ao passo que a Ganassi deve oferecer uma concorrência bem mais forte. Agora vem aí um longo e tenebroso inverno até a chegada do GP de São Petersburgo, em 29 de março — ‘The World Fastest Spring Break Party’, como diz o slogan da prova. Antes, ainda há possibilidade de corridas acontecerem em Dubai e em Brasília. Aguardemos.

1 comentário

  1. eduado disse:

    O Power melhorou muito em oval a partir do fim de 2013 e o titulo ficou mais facio,no proximo ano já campeão a tentencia é melhorar correndo com mais tranquilidade,o Montoya tambem entra na disputa melhor readapitado aos monopostos,a vida do Helinho teve ser dificil e deve terminar sua carreira na Indy sem titulo numa carreira anormal,acredito que nenhum piloto venceu tanto sem ser campeão de nenhuma categoria

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