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14 de julho de 2014 - 17:08Especial

Vem pra rua

SÃO PAULO | Corridas nas ruas e estradas britânicas, com ou sem mão inglesa, passarão a ser mais frequentes. O Primeiro Ministro David Cameron anunciou que vai aliviar o Road Traffic Act para tornar mais fácil a realização de eventos automobilísticos fora dos autódromos. Acredita-se que, com isso, cerca de 20 eventos novos possam acontecer de cara e resultar em um ganho de £ 100 milhões por ano para a economia do Reino Unido.

Trata-se de uma medida histórica para o esporte no país em que oito das 11 equipes do Mundial de F1 estão baseadas — inclusive que defendem outras bandeiras, como a Red Bull ou a Mercedes.

Na versão hackeada do simulador rFactor, era possível andar até de F1 no divertido circuito de Birmingham

Na versão hackeada do simulador rFactor, era possível andar até de F1 no divertido circuito de Birmingham

O Road Traffic Act é uma lei antiga que foi instituída com o objetivo de diminuir o número de acidentes fatais nas vias britânicas. Vale na Inglaterra, na Escócia e em Gales. Três exceções existem, duas para ralis na Escócia e outra para o Birmingham Super Prix, prova de rua que aconteceu entre 1986 e 1990 na cidade de Birmingham.

O que acontecia é que, para realizar competições automobilísticas, apenas a aprovação do Parlamento poderia permitir uma exceção ao Road Traffic Act. Os conselhos locais possuíam autorização apenas para fechar as ruas para eventos esportivos ou de lazer, mas não para suspender limites de velocidade, por exemplo. O sucesso da largada da edição que está em andamento do Tour de France colaborou para a decisão.

O líder do Partido Conservador fez o anúncio durante o lançamento da nova fábrica de engenharia da Williams, no fim da semana passada. “Temos uma grande tradição de automobilismo neste país e hoje vamos levá-lo de volta às ruas britânicas, para beneficiar as comunidades locais”, disse, destacando que isso faz parte de um plano econômico de longo prazo para o desenvolvimento da indústria.

Não é só o povo das corridas de asfalto que sorri: o dos ralis e das subidas de montanha também. Aliás, principalmente eles.

Num primeiro instante, isso vai ser fundamental para que possa acontecer, em 27 de junho, a décima e última etapa da temporada inaugural da F-E. Uma corrida de rua em Londres está prevista há tempos no calendário da categoria, mas sua realização ainda envolvia um ponto de interrogação. Apesar disso, os organizadores se recusavam a pensar em um plano B.

O local escolhido para a realização do evento é o Battersea Park, às margens do Rio Tâmisa.

E é claro que já surgiu novamente aquele burburinho de F1 nas ruas londrinas. Em 2012, quando estourou esse escândalo de suborno no qual Bernie Ecclestone está sendo julgado na Alemanha, pintou também o anúncio de que um GP aconteceria nas ruas de Londres. Passaria pelos principais pontos turísticos da cidade, como a Trafalgar Square, Westminster e o Tâmisa, à noite, com tudo para se tornar ainda maior que o GP de Mônaco. Tinha até uma simulação do traçado.

Alguns meses depois, aquela história toda rendeu um prêmio de melhor campanha de marketing para o Santander.

Boris Johnson, prefeito de Londres, já voltou a falar na possibilidade de ter a F1 em Londres, mas Bernie Ecclestone tratou de esfriar o rumor. Seria um evento muito caro para ser tirado do papel. Eu não apostaria — também não coloco a mão no fogo para falar que vai ou não vai ter.

De qualquer forma, não deixa de ser uma ótima notícia para o automobilismo de lá. Autódromos não faltam no Reino Unido. De primeira, de segunda, de terceira, de quarta, de quinta linha — eles têm pistas de todo tipo lá. E muita gente vive do automobilismo. O número de eventos, especialmente de provas de off-road, deve crescer, bem como o público tende a se aproximar do negócio.

Enquanto isso, a gente brinca uma vez ou outra de guiar numa rua inglesa no Gran Turismo mesmo.

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