MENU
FORMULA 1 - Bahrain GP

2 de julho de 2014 - 18:31F1

Esquema de fábrica

SÃO PAULO | A Red Bull não quer saber de deixar de ser a dona do próprio nariz e rejeitou a ideia de, no futuro, tornar-se cliente de Mercedes ou Ferrari no fornecimento de motores. Em outras palavras, não quer fazer festa no camarote dos outros, só no dela.

E o argumento de Christian Horner é coerente. Comprando unidades de força de montadoras que possuem equipes e investem pesado para conquistar o título mundial, a Red Bull não vai ter muitos recursos para derrotá-las.

Basta olhar para a lista dos campeões desde a década 1980, quando os motores turbo dominaram e quase decretaram a morte dos Ford V8 que boa parte dos times, especialmente os ingleses, usava, para notar que é muito difícil ganhar o campeonato sem estar no chamado “esquema de fábrica”.

A Brabham era a parceira oficial da BMW na campanha de Nelson Piquet rumo ao bi em 1983. Nos três anos seguintes, a McLaren se juntou com a Porsche para desenvolver um potente motor que faturou três taças. Em 1987, quando o TAG-Porsche já não rendia tanto, a Williams-Honda dominou. Disposta a voltar ao topo, a McLaren foi lá e roubou os Honda do time de Frank e foi campeã de tudo entre 1988 e 1991. A hegemonia foi encerrada pela Williams-Renault, que conquistou quatro títulos na década de 1990. A McLaren-Mercedes surgiu no fim do século para levar para casa dois canecos com Mika Häkkinen e um terceiro com Lewis Hamilton em 2008, a Ferrari colecionou troféus entre 2000 e 2005 e em 2007 e ainda teve a Renault vencendo com Fernando Alonso em 2005 e 2006 e como fornecedora da Red Bull nos últimos quatro campeonatos.

Dá para se contar nos dedos de uma mão as exceções desse período — e ainda sobram dedos:

A Benetton foi campeã sendo a principal equipe da Ford em 1994, numa temporada atípica, e assumiu o lugar da Ligier como cliente da Renault em 1995 para derrotar pela segunda vez seguida a Williams de Damon Hill, que era quem contava com o “esquema de fábrica” dos franceses. Michael Schumacher e Flavio Briatore dificilmente seriam bicampeões se continuassem com o “humilde” Ford V8 contra os V10 de Viry-Chatillon.

E, mais recentemente, teve a Brawn, numa história que conhecemos bem. Em uma época em que os propulsores não eram tão importantes, Ross Brawn desenhou um chassi extraordinário que foi abandonado pela Honda. De última hora, o inglês arranjou grana para disputar o campeonato e um acordo com a Mercedes. Jenson Button dominou a primeira metade do campeonato e foi campeão com uma corrida de antecedência. Porém, a relação dos alemães com a McLaren já estava estremecida, tanto é que eles romperam no fim daquele ano para que a montadora de Stuttgart assumisse o comando de Brackley.

A Red Bull de 2010 correu contra a equipe oficial da Renault, mas os franceses estavam preparando o afastamento da categoria e, assim, o esquema dos rubro-taurinos já era de fábrica — quase nos mesmos moldes de hoje.

Mas por que estamos falando disso?

Bom, a Red Bull está reclamando e muito da Renault por conta do fraco V6 desenvolvido em Viry — e não vai ser fácil recuperar a desvantagem, afinal, o regulamento congela o desenvolvimento dos propulsores. A saída mais fácil poderia ser comprar motores de quem já está na F1 e mandando bem, só que, com Mercedes e Ferrari sendo as outras duas montadoras em atividade, é pedir para voltar ao patamar de equipe intermediária.

A McLaren foi esperta e fugiu da ligação com a Mercedes trazendo a Honda de volta para o Mundial. Se a Red Bull quiser chutar o balde e largar a Renault, terá de fazer o mesmo.

De acordo com o jornalista Adam Cooper, uma alternativa é comprar a fábrica de motores de Viry-Chatillon da Renault e construir um motor próprio. A Red Bull já negou que vai desenvolver sua própria unidade de força. Mas, de repente, quem pode desenvolver o negócio é a patrocinadora Infiniti, e aí não seria um motor Red Bull… É caro? É, mas a conta paga à Renault por RBR e STR também é. A história faz sentido.

E Horner fez questão de dizer que a Red Bull tem opções. Um claro recado para a Renault: não adianta ficar acomodada porque a gente arranja outro esquema de fábrica por aí.

Rola um pouco de ingratidão aí? Talvez. Contudo, muita grana está envolvida para o futuro de uma equipe ficar comprometido. Se não ocorrer uma boa melhora até 2015, é bom que a Red Bull cartas na manga. Do contrário, ela e a Renault vão morrer abraçadas.

2 comentários

  1. João Paulo disse:

    Mas a Infiniti não é a marca de luxo da Nissan, que também é do conglomerado da Renault? Como pode a Infiniti construir/financiar os motores para a RBR “dar um chute” na própria Renault? o_O
    Se bem que depois de Cingapura/2008, da Renault eu espero de tudo…

    • Bernard disse:

      Isso é só uma jogada da Renault e Red Bull para burlar o regulamento da F1 e sair da regra do congelamento dos motores.
      Simples assim! E com isso tanto faz para o grupo Renault/Infinit se quem vai aparecer no nome dos motores.
      O importante é poderem quebrar a regra do congelamento dos motores e para isso, eles fingem que vendem para Infinit que também é deles e tudo certo.
      Jogada de mestre! Aí um dia a Renault compra de volta da Infinit.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>